sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Pierre Verger

Pierre Verger nasceu em Paris do início do século 20. Aos 30 anos, já sem o pai e com a morte da mãe, decidiu que não viveria além dos 40 anos: se o seu fim não fosse natural, deveria ser pelo suicídio. Até lá, restava-lhe aproveitar bem os anos que tinha pela frente. Descobriu, então, suas duas paixões: a fotografia e as viagens.
Com uma câmera Rolleiflex e noções de fotografia aprendidas com o amigo partiu para o Taiti. Essa acabou sendo apenas a primeira de muitas viagens feitas ao redor do mundo durante 14 anos. Para sobreviver, Verger vendia suas fotos para a imprensa e centros de pesquisa. 




Em 1946, desembarcou em Salvador, na Bahia, onde o atraíram a hospitalidade e riqueza cultural que encontrou na cidade. Apaixonou-se pela história dos afrodescendentes e pelo candomblé. Esse interesse lhe rendeu uma bolsa de estudos na África, para onde partiu em 1948. Lá, em 1953, foi iniciado na religião dos povos iorubás como babalaô ("pai do segredo") e recebeu o nome de Fatumbi, "nascido de novo graças ao Ifá", sendo o "Ifá" um oráculo daquela crença




A história, os costumes e a religião praticada pelos povos iorubás e seus descendentes, na África e na Bahia, passaram a ser os temas centrais de sua obra. Além de uma vasta pesquisa fotográfica para o Instituto Francês da África Negra (IFAN), começou a escrever suas impressões. Como colaborador de várias universidades, registrou suas pesquisas em artigos, comunicações e livros. Nos anos 1960 seu trabalho foi reconhecido internacionalmente e ele recebeu o título de doutor pela Universidade Sorbonne.


Nos últimos anos de vida, a grande preocupação de Verger passou a ser a garantia de acesso às suas pesquisas a um número maior de pessoas e a sobrevivência do seu acervo.
Em 1988, Verger criou a Fundação Pierre Verger, da qual era doador, mantenedor e presidente, transformando a própria casa num centro de pesquisa, cujo acervo contém cerca de 60 mil negativos de fotos suas

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